Portugal: Arquivos “são essenciais para que saibamos o que somos” , diz secretário de Estado da Cultura

postado em 26 de set de 2010 06:42 por webmaster site   [ 26 de set de 2010 07:04 atualizado‎(s)‎ ]
O secretário de Estado da Cultura, Elísio Summavielle, sublinhou hoje a importância dos arquivos para o conhecimento da História e Cultura de Portugal, defendendo a democratização do acesso de documentos ao público. 

“Os arquivos são a fonte essencial para que saibamos o que somos”, salientou o governante numa sessão realizada na Torre do Tombo, em Lisboa, para apresentação de uma edição fac-similada do “Liber Testamentorum Coenobii Laurbanensis”, que reúne documentos do século XII. 

A sessão decorreu no âmbito das Jornadas Europeias do Património, em articulação com o Colóquio Internacional “Quando Portugal era Reino de Leão: Cultura e Identidade antes de D. Afonso Henriques”, organizado pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, a Direcção-Geral de Arquivos e o Arquivo Nacional da Torre do Tombo. 

Elísio Summavielle apontou na sessão que não foi por acaso que escolheu os arquivos para assinalar a iniciativa do Conselho da Europa que em Portugal é celebrada desde 2005, e este ano conta com mais de 600 iniciativas em todo o país. 

“Sou um homem do património edificado, das pedras, mas sem os arquivos não podemos saber quem somos”, reiterou. 

Em declarações à agência Lusa, o governante disse ainda que “apesar da conjuntura complicada do momento, sobretudo do ponto de vista financeiro, a Direcção-Geral de Arquivos foi das que recebeu maior reforço, este ano” no orçamento do Ministério da Cultura. 

“A área dos arquivos é muito invisível e é daquelas que os políticos não costumam dar muita atenção, mas quisemos que se desse um impulso”, justificou, acrescentando que a tutela considera muito importante “a democratização crescente dos arquivos, com um acesso cada vez maior dos documentos aos investigadores e ao público em geral”. 

Na sessão, foi apresentada a edição fac-similada do “Liber Testamentorum Coenobii Laurbanensis”, cartulário do século XII, um dos documentos mais antigos do país, resultado de uma parceria entre o Arquivo Nacional da Torre do Tombo, detentora dos documentos originais, a Fundación MonteLeón e o Archivo Histórico Diocesano de León. 

O padre Aires do Nascimento, que participou no estudo da obra, a par de outros especialistas portugueses e estrangeiros, sublinhou que se trata de um “trabalho tecnicamente escrupuloso e cientificamente sustentado”. 

A edição fac-similada reproduz o original - que está depositado na Torre do Tombo - e é complementada por um conjunto de estudos de especialistas na época medieval. Na mesma sessão foi assinado o contrato de depósito do Arquivo dos Condes da Ponte, dos séculos XV a XIX, que será depositado na Torre do Tombo por trinta anos, assinado pelo décimo Conde da Ponte, Álvaro Ferrão de Castelo Branco. 

Augusto Lacerda, responsável pela Direcção-Geral dos Arquivos, agradeceu “a generosidade de quem partilha as riquezas intrínsecas das suas actividades”. 

O conde, por seu turno, confessou “o desgosto da família em desligar-se de um património com séculos”, que inclui documentos políticos e diplomáticos, mas contrapôs que “fica em boas mãos”, na Torre do Tombo. 

“É a melhor maneira de o preservar, e fica acessível aos investigadores. A família também o pode resgatar quando entender”, concluiu. 

Foi ainda inaugurada uma exposição virtual com alguns documentos originais do Mosteiro do Lorvão, onde foram copiados os documentos do “Liber Testamentorum” no século XII.

Fonte: Público Online. Disponível em <http://www.publico.pt/Cultura/arquivos-sao-essenciais-para-que-saibamos-o-que-somos--diz-secretario-de-estado-da-cultura_1457826>. Acesso em 26 set 2010.
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